Pré – Eclâmpsia

junho 24, 2020 - by Gabinete de Comunicação e Imagem - in Dicas & Notícias

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 As síndromes hipertensivas no ciclo gravídico e puerperal (Tensão alta na grávida e no pós parto) constituem uma das principais causas de morbimortalidade materna e fetal em especial nos países em desenvolvimento. O diagnóstico e o correto manuseio, podem evitar a morte da mulher e do bebé, cuja resolução exige uma resposta imediata por toda a equipa de saúde.

A Doença hipertensiva da Gravidez é multisistémica (atinge muitos órgãos) definida pelo aparecimento de níveis tensionais ˃ 140/90mmHg e proteinúria (presença de proteínas na urina) significativa, edemas sobretudo dos membros inferiores, convulsões e/ou coma a partir da 20ª semana de gestação. Este grupo de doenças que incluem pré-eclâmpsia (PE)/eclâmpsia, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica e hipertensão crónica, constituem uma importante causa de prematuridade, atraso no crescimento intra-uterino (o bebé cresce menos em relação ao tempo gestacional) e mortalidade materna e perinatal.

Dentro das síndromes hipertensivas gestacionais, deve-se dar uma atenção especial a Pré-eclâmpsia, que ocorre de forma isolada ou associada a hipertensão arterial crónica e está associada aos piores resultados maternos e perinatais.

Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), 14 % da mortalidade materna mundial está diretamente relacionada com esta patologia e é a principal causa de morte materna em África, América Latina e Caraíbas. Nos países em desenvolvimento as taxas de incidência podem atingir os 18%, em algumas zonas africanas, a mortalidade associada é 5 a 9 vezes superior.

Em Angola foi a primeira causa de morte em 2017 e 2018. Um estudo realizado no Huambo em quatro hospitais principais a doença hipertensiva foi a primeira causa de morte de 2011 a 2013. A causa da Pré-Eclâmpsia permanece desconhecido, mas sabe-se que se trata de uma doença multifactorial, tendo sido descritos factores imunológicos, genéticos e ambientais para o seu aparecimento, levando o acometimento de vários órgãos maternos.

 O seguimento rigoroso da gestante com um pré natal atento é a única forma de reduzir a morbimortalidade materna e perinatal (O uso da ecografia associada ao dopller é um recurso diagnostico de grande valor em obstetrícia). A elevação da pressão arterial constitui um factor relevante da doença, o segundo factor é o resultado da uma má adaptação do organismo materno a gravidez isso é, a partir da 20ª semana de gestação, com maior frequência no terceiro trimestre. 

Factores de Risco para Pré-Eclâmpsia

Qualquer mulher pode desenvolver Pré-Eclâmpsia, mas algumas mulheres estão em maior risco e os principais factores são:

  • Idade Materna (Extremos de idade);
  • Hipertensão arterial crónica;
  • Etnia;
  • Obesidade;
  • História prévia ou familiar da doença;
  • Gemelaridade;
  • Espaço intergenesico (Tempo entre as gestações);
  • Alta altitude;
  • Diabetes mellitus;
  • Doenças Autoimunes.

Sinais de Alerta e Sintomas

Os sinais e sintomas para doença hipertensiva gestacional podem ser muito leves e não serem percebidos pela grávida, mas podem incluir:

  • Cefaleias (dor de cabeça);
  • Edemas generalizado (inchaço em todo corpo);
  • Epigastrialgias (dor de estômago);
  • Visão turva (ver Fusco);
  • Escotomas (ver estrelas com os olhos fechados).

As complicações Maternas e Neonatais mais frequentes

Maternas:

  • Descolamento Prematuro da Placenta;
  • Coagulopatia/Síndrome HELLP;
  • Edema agudo do pulmão;
  • Insuficiência renal aguda;
  • Eclâmpsia;
  • Insuficiência hepática;
  • Hemorragia pós parto;
  • Acidente Vascular Cerebral;
  • Morbidade cardiovascular a longo prazo;
  • Morte.

Neonatais:

  • Prematuridade;
  • Restrição de crescimento fetal;
  • Hipóxia com lesão neurológica;
  • Morbidade cardiovascular a longo prazo associada ao baixo peso ao nascer (P <2.500 g);
  • Morte perinatal.

Prevenção

Dos factores de risco enunciados, alguns não podem ser modificados, como por exemplo os antecedentes familiares. A adopção de um estilo de vida saudável (hábitos higienico-dietéticos) ajuda na prevenção, ainda esta descrito e com bons resultados materna-fetal o uso de Aspirina 150 mg a partir das 11-14 semanas de gestação na prevenção desta doença.

Tratamento

O especialista que conduz os casos de Pré-Eclampsia é o obstetra, e o cardiologista colabora no manuseio dos anti-hipertensivos e no tratamento das complicações cardiovasculares, pois o tratamento definitivo da doença é a interrupção da gestação. Quando é confirmado o diagnóstico, é necessário considerar a Idade Gestacional, o estado clínico materno e o bem-estar fetal, a decisão do momento adequado para o parto vai se basear nestes três parâmetros.

Recomendações

  • Vá ao ginecologista antes de engravidar para avaliação clínica;
  • Compareça a todas as consultas previstas no pré natal e siga rigorosamente as recomendações médicas durante a gestação;
  • Lembre que a hipertensão é uma doença que pode ser assintomática, qualquer descuido e a ausência de sintomas podem fazer com que uma forma leve da doença evolua com complicações;
  • Faça exercícios físicos compatíveis com a fase da gestação.

 

Referências:  

  • Global causes of maternal death: a WHO systematic analysis. 2014;
  • Royal College of Obstetricians and Gynecologists;
  • WHO recommendations for Prevention, treatment of pre-eclampsia, and eclampsia;
  • Estudo ASPRE, publicado em 2017;
  • Causes of maternal mortality in four reference hospitals in Huambo Province from 2011 to 2013 Cezaltina Nanduva Kahuli*, Victor Nhime Nungulo**, Diogo Ayres-de-Campos*** Hospital Regional do Huambo; Hospital Municipal do Bailundo, Hospital Municipal da Caala e Hospital Municipal do Cambiote.

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