Projecto Arbospread – CLIGEST colabora com INIS e Universidade de Oxford

janeiro 07, 2020 - by Gabinete de Comunicação e Imagem - in Dicas & Notícias

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Vigilância de Arbovírus

  • Contexto do Projecto: Universidade de Oxford, Brasil, Cabo Verde e Angola
  • Projecto irmão: Projecto Zibra (Brasil)
  • Palavras Chave: Arbovírus, Epidemiologia, África, Angola, Investigação, Cooperação, INSP – Angola, Participação Cligest, Publicação, Divulgação, CDC, WHO.

Os vírus transmitidos por artrópodes, designados por Arbovírus (Arthropod-borne vírus), continuam a ser um grande problema de saúde pública em África. Para além das condições climáticas, factores como a elevada densidade populacional, as migrações frequentes, a ocupação desordenada de áreas urbanas bem como a precariedade das condições sanitárias, favorecem a amplificação e transmissão das doenças provocadas por estes vírus. Em conjunto com outras condicionantes, muitas patologias acabam por passar muitas vezes despercebidas devido à falta de vigilância e à inexistência de programas locais de controlo e investigação. O resultado é a ausência de dados epidemiológicos de extrema importância no combate a epidemias circulantes a nível nacional e internacional.

Com o objectivo de caracterizar as estirpes circulantes de Arbovírus (como a Dengue, Chikungunya e Febre Amarela), um grupo de investigadores da Universidade de Oxford no Reino Unido, liderado por Nuno Faria, formou uma rede internacional e multidisciplinar, para monitorização da diversidade genética e da mobilidade destes vírus entre Brasil, Cabo Verde e Angola. Este grupo reúne a experiência e dados obtidos no projecto ZIBRA, realizado no Brasil para a caracterização do vírus Zika durante 2016, ano em que ocorreu um grande surto neste país, associado posteriormente a casos de microencefalia.

A Cligest é uma das instituições integrantes desta rede de vigilância epidemiológica, que em Angola se encontra centralizada no Instituto Nacional de Investigação em Saúde (INIS). No âmbito destes estudos, autorizados pelo comité de ética do Ministério da Saúde de Angola, têm sido sequenciados genomas virais encontrados por RT-PCR, utilizando uma tecnologia portátil – MinION – que têm revolucionado e acelerado o desenvolvimento e conhecimento na área.

Na primeira semana de actividade e a partir da amostra de um paciente que recorreu aos nossos serviços em Janeiro de 2018, foi sequenciado no INIS o primeiro genoma de Dengue em Angola, pertencente à estirpe DENV2. Desde a identificação da estirpe DENV2, o grupo continua a desenvolver actividades no âmbito da investigação das arboviroses em Angola tendo igualmente confirmado a presença do vírus Zika em território nacional. Os resultados destes estudos têm sido publicados em revistas internacionalmente reconhecidas como a Emerging Infectious Diseases, Lancet Infectious Diseases e a informação divulgada em Abril de 2019 no site do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC)*1 ou referenciada em publicações da Organização Mundial de Saúde (WHO)*2.

Espera-se que a partir dos dados obtidos seja possível reunir e cimentar dados genéticos, ecológicos e cartográficos, que suportem a previsão de riscos futuros para a transmissão de Arbovírus a nível nacional e regional.

Associando os dados genéticos à sintomatologia, existe ainda possibilidade de relacionar estirpes virais a quadros clínicos, potenciando a investigação e desenvolvimento de tecnologia e métodos de diagnóstico mais específicos, o desenvolvimento de fármacos adequados e auxiliando o Estado na criação de protocolos igualmente específicos para tratar/combater as doenças provocadas por estes vírus.

*1 https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/25/4/18-0958_article

*2https://www.who.int/emergencies/diseases/zika/zika-epidemiology-update-july-2019.pdf?ua=1

 

Referências:

Entidades que colaboram nestes estudos:

  1. Department of Zoology, University of Oxford, K.
  2. Instituto Nacional de Investigação em Saúde, Ministry of Health, Luanda, Angola.
  3. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Águas de Moura, Portugal.
  4. Departamento de Genética, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brazil.
  5. Departamento de Genética, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil.
  6. FioCRUZ Rio de Janeiro, Brazil.
  7. Department of Statistics, University of Oxford, UK
  8. Computational Epidemiology Lab, Boston Children’s Hospital, Boston, USA
  9. Harvard Medical School, Boston, USA
  10. Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (IPESQ), Campina Grande, Brazil.
  11. Universidad San Francisco de Quito,
  12. Colegio de Ciencias Biológicas y Ambientales, Quito, Ecuador
  13. University of KwaZulu-Natal, Durban, South Africa
  14. Centro Universitário UniFacisa, Campina Grande, Brazil.
  15. Instituto de Medicina Tropical e Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brazil.
  16. Hospital Pediátrico David Bernardino, Luanda, Angola
  17. Instituto Nacional de Luta Contra SIDA, Luanda, Angola
  18. Li Ka Shing Knowledge Institute, St. Michael’s Hospital, Toronto, Canada
  19. BlueDot, Toronto, Canada.
  20. Department of Medicine, University of Toronto, Canada
  21. World Health Organization, Switzerland, Geneva

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