Dislexia

outubro 09, 2019 - by Gabinete de Comunicação e Imagem - in Dicas & Notícias

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A Dislexia é definida como um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica, causado por uma falha no processamento de informação no cérebro. Ainda que desconhecido para muitos pais e educadores, este distúrbio atinge aproximadamente 15% da população mundial.

Como identificar?

Dificuldades na leitura, na escrita e compreensão de textos, são alguns dos sintomas indicativos do distúrbio. Para o disléxico, ler requer um esforço extremo para discriminar as letras, juntá-las para que formem palavras e ainda para compreender o seu significado.

Sintomas na fase pré-escolar:

  • Atraso no desenvolvimento da fala (crianças que começam a falar depois do que é esperado para a sua faixa etária);
  • Dificuldades na pronúncia (quando ainda há uma ‘’linguagem bebé’’) – as crianças aos 5 anos já devem pronunciar a maioria das palavras sem erros;
  • Dificuldades em aprender o nome das letras, números e cores;
  • Desinteresse por material escrito;
  • Dificuldade na aquisição de conceitos temporais (ontem/amanhã; esquerda/direita);
  • Dificuldades em escrever o nome.

Sintomas na fase escolar:

  • Pior desempenho a Língua Portuguesa comparado a outras disciplinas;
  • Comportamento de desistência perante exercícios em que seja necessário ler;
  • Leitura vagarosa, com pouca entoação;
  • Escrita com erros frequentes e com poucos sinais de entoação. (Erros ocorrem com maior frequência em letras com um ponto articulatório próximo (/F/ e /V/) ou com grafia semelhante (/P/ e /B/));
  • Dificuldades na compreensão de textos.

A quem deverá recorrer?

Na presença dos sintomas enumerados, pais e professores devem procurar um psicólogo ou pedagogo clínico.   

Como é feito o diagnóstico? 

O diagnóstico de dislexia só deve ser feito após os primeiros anos de alfabetização (a partir da 2ª Classe). Porém, os pais devem estar atentos aos sintomas pré-escolares. Quando há suspeita de dislexia, mesmo que o diagnóstico ainda não possa ser feito, é importante que a criança seja acompanhada por um psicólogo para que lhe seja estimulada a consciência fonológica e assim minimizar os impactos que a dislexia terá na sua vida pessoal e académica.

Qual a importância de realizar um diagnóstico?

Um diagnóstico pode melhorar até 80% das dificuldades apresentadas pelas crianças com dislexia, desde que seja feito atempadamente e com um acompanhamento adequado.  

A dislexia é das maiores causas do mau desempenho escolar, levando a que muitas vezes a criança não diagnosticada tenha de ter explicações ou repetir o ano lectivo, sem que sejam observadas melhorias significativas. Repetir o ano lectivo não diminuirá as dificuldades que a criança tem em escrever e ler. Estas dificuldades serão mantidas na fase adulta do indivíduo, afectando as suas probabilidades de ingresso na faculdade e de obtenção de um emprego. Mesmo que a criança consiga progredir na escola, sem as adaptações necessárias a nível escolar e sem um acompanhamento personalizado a criança manterá os sintomas de dislexia.

Para além do impacto escolar e profissional, a dislexia pode causar também sintomas de baixa autoestima, pois a criança estará sempre em desvantagens perante os seus colegas e pensamentos como ‘’eu não sou boa o suficiente’’ e ‘’eu sou uma inútil’’ serão cada vez mais frequentes.

Há cura?

Não. Embora não tenha cura, é possível levar uma vida normal se houver um acompanhamento especializado desde cedo. O acompanhamento é geralmente feito por um psicólogo ou pedagogo clínico para que se possa diminuir significativamente o impacto que a dislexia tem na vida pessoal e profissional da criança.

Como é feito o acompanhamento? 

O acompanhamento para a dislexia consiste no treino da descodificação das letras de acordo com sua correspondência sonora, no aumento da fluência da leitura, na aquisição do vocabulário e na compreensão de textos. O acompanhamento pode também ajudar a aumentar a autoestima e o controlo emocional da criança, o que representará uma mais valia ao longo da vida na superação de outras dificuldades.  

Repetir o ano lectivo ajuda?

Não, pelo contrário, repetir o ano pode levar a problemas de ansiedade e autoestima. É necessário desenvolver um programa de estratégias específico de apoio à criança e fazer as adaptações necessárias durante os processos de avaliação.

Ter dislexia significa que o seu filho é menos inteligente?

Não, a dislexia não afecta a capacidade intelectual da criança nem a capacidade de aprendizagem em áreas que não sejam dependentes da escrita e da leitura.

 

Quanto mais cedo for feito o acompanhamento, menor o impacto que a dislexia terá na vida do seu filho.

 

Referências

Rubino, R. Sobre o conceito de dislexia e seus efeitos no discurso social. Estilos da Clínica, 13(24), 84-97., 2008.

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